segunda-feira, 26 de julho de 2010

Colorindo o Céu de Fernando Pessoa

Cai chuva do céu Colorido
Que tem razão de ser.
No meu pensamento
Não há chuva nele a escorrer.

Tenho uma grande alegria
Acrescentada à que sinto.
Quero oculta-la mas pesa
O quanto comigo não minto.

Porque verdadeiramente
Não sei se estou feliz ou não.
E a chuva não cai levemente
Dentro do meu coração.

Versão modificada do poema de Fernando Pessoa.

terça-feira, 20 de julho de 2010

...

Hoje eu não queria acordar... mas acordei, e nunca foi tão doloroso para mim estar acordada como foi naquele momento. Ainda não sei ao certo por que senti isso; Talvez eu tenha sentido com a incerteza de acreditar que tudo que eu buscava fosse o nada, ou que, talvez o nada fosse tudo que estava ao meu alcance.
Eu me levantei, e em um súbito lapso consciente eu me recusei a fazer tudo aquilo que geralmente faço; Não tomei banho, não escovei meus dentes, não penteei meus cabelos e nem ao menos me dei ao trabalho de comer... mas mas eu não me senti feliz ou diferente, na verdade eu me senti mais igual do que de costume; Naquele momento para ser mais específica, me senti como se minha igual igualdade igualitária me igualasse a tudo aquilo que eu sempre quis ser... mas nunca fui e nunca serei, talvez por falta de coragem, por medo de viver.
Tudo isso me fez chegar a conclusão de que o "nada" em minha vida não era aquilo que eu busca... o nada era apenas eu...
São várias variáveis que variam as múltiplas palavras que se encaixam em padrões estéticos perfeitos para me descrever, porém não interpretam nem com uma letra sequer tudo aquilo que eu sou.

L.P. Borges

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Tudo flui.

Você já parou para pensar de onde você veio?
Certo,certo você deve estar pensando "eu vim da minha mãe e do meu pai"; mais não é isso que eu estou falando, e sim de onde tudo que começou ate agora.
E para onde vamos?Você já pensou nisso?Como é depois da morte?
Você pode tentar responder de varias maneiras. Mais só há uma resposta certa.
Qual é ela?
É que continuamos nesse mundo.Lógico,por que não?
Heráclito já falava "TUDO FLUI" imagine partículas de sua alma com pequenos "engates" que ficam pelo esse mundo se ligando a outras partículas, e por que não formar uma outra pessoa!
Você deve estar se perguntando o que isto tem haver com "De onde vimos e para onde vamos?"
a resposta é que possamos ter vindo de qualquer lugar do universo, e continuaremos nesse universo por que.
TUDO FLUI

                                                                                                                Lucas S. Santos

Atendendo a pedidos, está ai, o primeiro texto reflexivo escrito pelo meu amigo Lucas.
Beijos a todos

domingo, 11 de julho de 2010

Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.
Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 28 de junho de 2010

42

Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e por que ele esta aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável.

Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.

Introdução do livro "O restaurante no fim do universo" de Douglas Adams.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Estrofes para música

Não há filha da Beleza
Com mágica como a tua
E, tal música nas águas,
Tua voz em mim atua:
Quando, com seu som vem motivar
O encantado oceano a vacilar,
As ondas pairam calmas e brilhando
E os ventos em sossego divagando:
E a lua à meia-noite elaborando
Seu luzente colar sobre a descida;
O seio docemente palpitando
Como criança adormecida:
Assim o espírito inclinado a ti
A fim de ouvir e adorar a ti
Com plena mas suave comoção,
Como o inflar do oceano do Verão.
                   Lord Byron

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Quase...

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que  poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance; para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que lanejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
                      Luiz Fernando Veríssimo